domingo, 28 de março de 2010

"Só não gosto de pessoas que pensam em 1 e 0 e dizem que quem não faz isso está em cima do muro"

Esta é a frase do dia, proferida em mais um debate infrutífero entre os alunos de humanidades da Universidade Federal de São Paulo...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Afinal, Cuba é ou não é uma ditadura?

Saudações a todos! Eu estou agora transcrevendo um texto escrito por mim na comunidade do campus guarulhense da Universidade Federal de São Paulo no orkut, e que procurava responder a seguinte pergunta lançada em um debate: "Cuba é ou não uma ditadura?"


Pois bem, fazendo bom uso desse espírito de laicidade que me é nato, eu exprimi minha opinião na forma do que está escrito a seguir. E, é claro, para ir ao encontro da proposta principal deste blog, que é discutir sobre as coisas com a liberdade de um leigo. Assim sendo, eu tentei responder à questão da seguinte forma:


O que aconteceu e acontece em Cuba e outros países quejandos só nos mostra o seguinte: construir uma sociedade que consiga ser efetivamente soberana e que promova a justiça social é muito mais difícil do que Marx e seus "intérpretes autorizados" imaginavam.


Enquanto boa parte dos países do mundo não promove a justiça social simplesmente porque ou não conseguem sequer ter uma existência estável como nação independente, ou porque não há quase nada a se dividir com o povo para ser revertido em benefício deste, vemos um país que consegue sobreviver por 50 anos (ainda que aos trancos e barrancos) à um embargo econômico que mesmo uma nação desenvolvida talvez não aguentasse dois anos. Somente uma nação saudável e bem educada conseguiria tal proeza.


Mas é claro que as pessoas, quanto mais saudáveis e educadas elas são, o poder de entender e até mesmo de questionar a realidade em que elas vivem aumenta. Elas começam a se perguntar: "Se eu tenho um padrão de vida em que eu tenho uma segurança social boa, porque eu não posso comprar (por exemplo) uma televisão melhor do que a que eu tenho?"Ou esta: "Se eu tenho vontade de comer um doce ou até mesmo de limpar o meu cu com papel higiênico (o que, no caso é uma necessidade mais do que elementar), porque eu não posso ter um bombom pra saciar a minha sede de glicose e porque eu tenho que pegar uma fila enorme pra comprar o jornal do partido pra poder me limpar, enquanto os estrangeiros que vêm para cá podem ter acesso a tudo isso?" Ou ainda "Se a revolução é popular e nós somos o povo, porque não podemos decidir que rumos a revolução deve tomar, já que somos a força que sustenta a revolução?"E as perguntas não param por aí...


No começo, as pessoas até contemporizam com certas restrições, por entender que um processo de construção de uma nova sociedade naturalmente comporta certas dificuldades e sacrifícios a que nos devemos submeter. Mas conforme o tempo vai passando e a situação de aperto não muda, as pessoas evidentemente começam a questionar a situação.E daí surge a revolta. E, para que os anseios do povo sejam atendidos, só a retórica revolucionária e suas palavras de ordem não bastam.


Há um episódio da guerra de independência dos EUA que ilustra bem isso. Nos dois primeiros anos desta guerra, que durou de 1776 a 1781, os americanos estavam apanhando dos ingleses (a balança só pendeu para o lado dos americanos porque os franceses entraram na jogada); durante uma marcha do então esfarrapado exército americano, George Washington e outros oficiais (que nunca se arriscavam diretamente nas batalhas e nem passavam fome) tentavam animar a tropa grtando: "Liberdade!" "Liberdade!". Mas os soldados, que ja estavam famintos, exaustos e cansados de lutar, respondiam assim: "Comida!" "Comida!".


Pois bem, efetivamente é dificil dizer se Cuba é ou não uma ditadura, pois se ela é ou não uma ditadura, caberia ao seu povo decidir isso, e se for o caso, de alterar ou destruir esta ordem política. O que se pode dizer é que ela veio mostrar ao mundo que a revolução não é e não pode ser uma via de mão única. Que não cabe e jamais caberá a divisão maniqueísta entre direita (os malvados) e esquerda (os bonzinhos). Pois, como diria Marx (se eu não me engano na "Miséria da Filosofia"), mesmo os revolucionários têm que se renovar constantemente pra não se tornarem conservadores, pois a revolução é um desafio permanente, que jamais se esgota e exige constante renovação de objetivos, fazeres e idéias. O que certamente não estamos sequer preparados para fazer. Ainda...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os dez mais da Umbanda...


Saudações a todos! Em certa ocasião, eu fiz uma alusão a pessoa de William Oliveira (mais conhecido como Mestre Obashanan), que além de excelente percussionista, crítico musical e mantenedor do blog "Acervo Ayom: música é espírito" (que nos mostra parte do acervo musical da Faculdade de Teologia Umbandista, o maior e mais completo acervo da música de terreiro brasileira) , é reconhecidamente um dos maiores lutadores da causa umbandista na atualidade.



E se vocês olharem minha lista de blogs, notarão que há um link para o "Acervo Ayom", e, mais do que isso, notarão que este meu humilde blog (que tenho a incrível teimosia de manter no ar há exatos 197 dias) é fortemente inspirado no "Acervo Ayom", praticamente imitando seu formato. Pois bem, indo ao que interessa, entrei em contato, via formspring, com Mestre Obashanan, e lhe pedi que fizesse uma lista de dez discos de umbanda fundamentais. E, ele respondeu a pergunta da maneira que segue abaixo, com indicações das resenhas que ele fez para cada um de seus discos ( e que, por sinal, são de leitura altamente recomendável):



Saudações! Você poderia me citar 10 discos de umbanda que não podem faltar no acervo musical de qualquer pessoa interessada na música de nossa religião? - Adriano Oliveira



Saravá, Adriano. A lista é extensa e sintetizar em apenas dez discos é uma tarefa difícil, pois teríamos de tentar entender o que é exatamente Umbanda antes de criarmos uma lista do tipo. Pois existem Umbandas que possuem relações com os Candomblés, com as Encantarias e com o Catolicismo e Religões Orientais. Além disso, teremos - se é que entendi sua pergunta - que excluir os discos que chamamos de "Música de Inspiração Umbandista", e a MPB de todos os tempos que possui influência inquestionável dos ritmos, da harmonia e da melodia dos terreiros. Mas vamos lá, vou considerar os discos de Umbanda de terreiro, gravados em estúdio ou ao vivo, cantados em português, ok? E não vou fazer a lista semelhante aos "Dez hits da macumba", mas sim, pensando na importância histórico-musical dos mesmos, ok? São todos discos muito bons!



1)Ponto de Umbanda Girassol - 1970 - Clássico absoluto, um disco perfeito em quase todos os sentidos: da gravação à autenticidade. Veja a resenha aqui: http://acervoayom.blogspot.com/2007/08/pontos-de-umbanda-girassol-1970.html






2)Umbanda e seu ritual – Pró-Construção do Hospital Umbandista – 1970 - Tanto pela proposta do disco, quanto pela importantíssima participação de J.B. de Carvalho e de J.M. Alves, o criador do hino da Umbanda, além da curiosa presença de "Seu Pereirinha", provavelmente a primeira gravação de uma entidade incorporada cantando em estúdio. Leia aqui: http://acervoayom.blogspot.com/search/label/Umbanda?updated-max=2007-08-20T23%3A22%3A00-07%3A00&max-results=20






3) Pai Edu - Palácio de Yemanjá - 1972 - Tanto pela raridade deste disco quanto pelo fato de Pai Edu ter sido o pai de santo de Clara Nunes, quanto pela curiosidade do rito que Pai Edu fazia - uma espécie de protótipo macumbístico do Padre Marcelo - este disco deve ser muito bem observado em sua importância histórica e temática. Leia aqui, zifio: http://acervoayom.blogspot.com/2007/07/palcio-de-iemanj-1972.html






4)Aruanda - 1970 - Uma maravilha, talvez o retrato mais fiel de uma Umbanda que está acabando. O registro rústico e honesto de pessoas que deixaram para a posteridade seu canto e sua fé; Aqui: http://acervoayom.blogspot.com/2007/06/aruanda-1970.html






5)No Reino da Umbanda – cantos do ritual - Prov. anos 60/70Outro disco maravilhoso e raro. http://acervoayom.blogspot.com/2006/11/no-reino-da-umbanda-cantos-do-ritual.html






6)Cruzeiro das Almas - Edição Nova - Ponto de Preto Velho é aqui! http://acervoayom.blogspot.com/2006/09/cruzeiro-das-almas-edio-nova.html






7)Saravá Umbanda - 1966 Um disco misterioso, curioso e muito bom. Obrigatório: http://acervoayom.blogspot.com/2006/10/sarava-umbanda.html






8)Todo mundo quer Umbanda - Pai Pedro Miranda e Terreiro d´Aruanda de Mestre Arapiagha e Mestre Yapacani. Esses dois registros de nossa gravadora são essenciais para se entender a Umbanda de 1908 até 2000. Duas escolas importantíssimas que praticamente nunca havia sido gravadas. Aqui: http://ayomrecords.blogspot.com/2008/06/lanamento-incrvel-todo-mundo-quer.html e aqui: http://ayomrecords.blogspot.com/2009/11/lancamento-historico-terreiro-da.html






9)Pontos de Umbanda - 1970 - As origens da Umbanda Paulista, um clássico maravilhoso! Aqui: http://acervoayom.blogspot.com/2006/10/pontos-de-umbanda-primado-de-umbanda.html






10)Templo de Umbanda Nagô - Um disco antológico, raro e importantíssimo para se entender as origens da Umbanda gaúcha, fortemente enraizada nas matrizes indígenas: http://acervoayom.blogspot.com/2006/10/templo-de-umbanda-nag.html






Com dez, fica muita coisa de fora, principalmente dos anos 20/30, da época dos vinis de acetato, onde havia apenas uma faixa por lado. Observe que a maior parte desses "clássicos" são dos anos 70, época em que a música de terreiro estava por cima e era muito bem aceita. E há muita coisa boa nunca lançada, que temos no acervo, em fitas, mp3 e outros. Não sei se concorda com meu set list, mas acho que deu prá enxergar mais ou menos o panorama do que é a música de terreiro de Umbanda em sua abrangência. Axé! Ayan irê Ô!






Pois bem, meus senhores, aí está a opinião de um dos maiores (se já não é o maior) especialista em música de terreiro. Na verdade, apesar de não achar esta lista ruim - é muito boa, por sinal - eu tenho uma opinião um pouco diversa da deste mestre. Até porque, em parte das obras citadas, eu não tive o prazer de poder ouví-las na íntegra, visto tratarem-se de discos raros - por isso mesmo relativamente caros para um humilde funcionário público - dos quais não encontramos no grande oráculo Google mais do que duas ou tres referências (que geralmente são essas: a resenha do disco no "Acervo Ayom", uma citação no blog "Acervo Tambor" - que é o inventário de um colecionador de discos de terreiro - e, com um pouco de sorte, um anúncio da venda de um exemplar desta obra no Mercado Livre).






O que eu possuo comigo eu consegui, em sua maior parte, graças ao esforço de pessoas que possuem as obras e gentilmente disponibilizaram-nas para download gratuito. Outras coisas eu consegui em sebos e em lojas de umbanda. Eu mesmo tenho algumas obras que pretendo jogar na web para download dos interessados, que atualmente estão no mesmo pé que eu citei: quase sem referências. Com o tempo, eu vou jogando algumas coisas que eu tenho aqui comigo para download dos interessados, pois fazer o upload das obras demanda mais tempo do que atualmente eu disponho, além de eu sempre ter de renovar os arquivos para que seu download esteja sempre disponível.






Quando eu tiver tempo, também farei o meu set list de discos da Umbanda, ok? Até porque eu não posso fugir da proposta inical deste blog, que prtende falar de tudo com a liberdade de um leigo. E, na minha condição de leigo, posso opinar livremente sobre as coisas, de maneira um tanto inconsequente até...






Agora, vamos a nossa dose de colírio alucinógeno..

sábado, 9 de janeiro de 2010

Germano Mathias - Hoje tem batucada - 1959





01. Bronca De Marilu; 02. Sabão Na Panela; 03. Malvadeza Durão; 04. Mexi Com Ela; 05. Vigarista De Terreiro; 06. Recordando a confusão; 07. Forca do perdão; 08. Romeu E Julieta; 09.Sinfonia da Goteira; 10.Juca do Paulistano; 11. Amélia Granfina; 12. Paraiso da Tereza.



Saudações a todos! Inicio a primeira postagem deste ano com mais uma do grande e inigualável sambista Germano Mathias. E como aconteceu na última postagem que eu fiz dele, aviso que em 199 a RGE lançou em um único cd os dois discos que Germano Mathias gravou por ela, omitindo duas faixas de cada disco. Deste disco que ora comento foram omitidas as faixas " Sabão na Panela" e "Sinfonia da Goteira". Bem, o blog "Um Que Tenha" (há um link pra lá na minha lista de blogs), bem depois de eu ter comentado o disco "Em Continência ao Samba" postou a versão integral desta obra. Quem sabe aquele que se identifica como "Fulano Sicrano" (o mantenedor do blog) não consiga a versão integral do "Hoje tem Batucada também?"



Pois bem, como eu já havia comentado, Germano Mathias é realmente um sambista único, pois, com o seu cantar cheio de bossa e cadência, representa um estilo de se interpretar sambas quase extinto, que teve representantes do porte de Ciro Monteiro, Jorge Veiga, Vassourinha, Dilermando Pinheiro, Caco Velho, entre outros que me fogem o nome, além do próprio Germano. Pena que hoje em dia tal estilo, e com ele seus representantes, não sejam sequer conhecidos pelas gerações mais contemporâneas; hoje em dia, o negócio é "proibidão", e pagode mela-cueca; com um pouco de sorte, encontramos entre os mais jovens quem goste de samba contemporâneo, mas daqueles mais antigos, donde os sambistas contemporâneos beberam na fonte, quase ninguém conhece ou tolera...



Creio que vocês puderam notar que eu não sou muito tolerante com música; até gosto de certos grupos de pagode, e também gosto um pouco dos "três malditos" (Raul Seixas, Cazuza e Lobão) do rock nacional e também de música caipira, bem como um pouco de mpb da "Época de Ouro" e de música umbandista, mas nada pode me dissuadir da opnião de que o gosto musical das gerações mais jovens é, via de regra, bastante degenerado. E que, infelizmente, pouco nos resta fazer a não ser lamentar este fato e seguirmos resistindo a essa onda alienante que ousadamente usurpa o nome de cultura...



Eu até entendo que o gosto musical tem muito a ver com o histórico de vida das pessoas. Por exemplo, hoje em dia quase ninguém jovem gosta de música caipira porque hoje em dia a maioria dos seres humanos deste país vive em cidades; o Brasil de hoje é um país essencialmente urbano e metropolitano, mas há 50, 60 ou até mesmo 70 anos atrás (quando a maioria das duplas caipiras famosas iniciaram sua carreira), o Brasil era um país majoritariamente agrícola e rural, e a indústria começava a ganhar força; isso só começou a mudar à partir do advento da ditadura militar (veja bem, eu não estou elogiando o período mais nefasto de nossa história, ó comunistas indignados!), com o início da penetração da TV nos lares brasileiros como meio de comunicação de massas e a consolidação de "nossa breve revolução industrial", o que gerou um forte êxodo das áreas rurais para as áreas urbanas industrializadas.



Pois bem, praticamente todas as pessoas da minha geração que eu conheço foram nascidas e/ou criadas na cidade de São Paulo ou em seu conglomerado metropolitano (Guarulhos, onde resido, é uma destas cidades; também é uma cidade grande, a sexta maior do Brasil, apesar de seu governo e modos provincianos), e por conseguinte tem a mentalidade do homem urbano; como poderiam entender e apreciar uma música que fala de coisas relativas a vida rural, se isto é uma coisa que não faz parte da vida deles? Como poderiam apreciar uma múisica que fala, por exemplo, de pescaria e de canoeiros, se vivem numa área onde praticamente não existem rios ou córregos que não estejam poluídos por esgoto? Como poderiam apreciar músicas que falam da lida do gado, de invernadas e querências, se podem contar nos dedos de uma mão os bois e vacas que já viram de perto na vida (e até mesmo a lida do gado já não é um negócio tão rústico como era antigamente)? Eu mesmo talvez só gosto de música caipira porque fui criado perto de meu avô paterno (que já citei em postagem anterior), que sabe tocar viola caipira, o que me introduziu neste gosto musical e nesse Brasil que praticamente não existe mais.



Mas, voltando ao disco (vocês notaram que adoro me perder em digressões), ele está mais uma vez no rol daqueles que você não pode morrer sem ter escutado. Como vocês notaram, a maioria das obras que comento neste blog têm tal classificação. Mas, o que eu poderei fazer? Eu não tenho culpa de Germano Mathias e outros quejandos serem tão talentosos... O que nos cabe fazer é rendermo-nos ao seu talento e a sua bossa..
E vamos saravar o colírio alucinógeno!
Para ouvir a faixa 07, "Forca do Perdão", é so clicar aí embaixo:



















sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz natal as testemunhas de Jeová, judeus, muçulmanos, macumbeiros, ateus e outros quejandos

Saudações a todos! Antes que algum "pocó" veja o título desta postagem (como já citei certa vez, "pocó" - façam a analogia que quiserem! - tem a ver com politicamente correto, espécie de chato social que costuma recalcar a natureza humana em nome de "boas causas", que vão desde o aquecimento global até a descriminalização da maconha, fazendo com que não consigamos expressar nossa real opinião sobre tais assuntos, pois mais importante que a transparência é agradar os outros) e me acuse de anti-semita, facista, intolerante religioso ou outros epítetos não muito lisonjeiros que só os "pocós" têm originalidade e inteligência suficiente para inventar, eu botei este título fazendo apenas uma alusão às crenças que eu conheço para as quais o Natal não possui religiosamente o significado que possui para os cristãos católicos, por exemplo.



E também a um bando de testemunhas de Jeová que em certo Natal encontrei na rua e com a maior das boas intenções desejei-lhes efusivamente um feliz Natal (pois entre eles se encontrava um sujeito que foi meu considerado no Ensino Médio), indo me lembrar só depois que esta crença, apesar de cristã, não celebra o Natal por considerá-lo uma festa de cunho pagão. Mas aí, a gafe já estava feita...



O que, é claro, não elimina o mérito de tais religiões, visto que todas elas (exceção feita aos ateus, é óbvio; o que logicamente não significa que os ateus sejam moralmente ruins, embora este que vos escreve considere o ateísmo algo anacrônico e fora de moda) e mais as outras religiões que me escapam agora de alguma forma nos conduzem a(os) Deus(es) e têm mensagens que nos fazem compreender as leis divinas respeitando nossas particularidades, interesses e níveis de compreensão, conclamando-nos a ética e ao respeito ao próximo. E, por estas razões e por outras que não mencionei, creio que a mensagem e a ética natalinas é válida a todas as pessoas, pois alude à necessidades e sentimentos que nenhuma pessoa saudável e racional prescinde, como o amor, a amizade, o sentimento de pertença a um grupo(a família, por exemplo), a alegria e vários outros que agora me fogem...



Porque disso tudo que eu mencionei mão estamos necessitados somente no Natal, mas sim enquanto permanecermos vivos nesta e em outras encarnações. E por isso, como bom umbandista, eu desejo a todos os nautas que ocasionalmente toparem com este blog, um feliz Natal e um 2010 com todo o sucesso que nós batalhamos todos os dias para obter!



No ano que já está para chegar, eu voltarei a botar mais coisas neste blog, e prometo ser mais variado...



Saravá o colírio alucinógeno, que nos abriu as portas do mundo real!






domingo, 6 de dezembro de 2009

Sete Rei da Lira - 1971

01.Saravá a coroa maior; 02.Sete na Lira; 03.Guardião dos caminhos; 04.A casa de Seu Sete; 05. É prá quem tem fé; 06. Sete é protetor; 07.Rosa Vermelha; 08.Rei da Lira; 09.As quatro coroas; 10.Estrela de Audara Maria; 11.Audara Maria do Oricó; 12.Dona Audara Edimum.



Ora, senhores, que palavras irei usar para descrever o que este disco registrou para o deleite e para a emoção das gerações vindouras? O que dizer de novo e criativo sobre este disco, que é um clássico da música umbandista e da música sacra brasileira? Estamos diante de um dos pouquíssimos registros disponíveis de uma das mais estupendas e comoventes manifestações de fé da história deste país: os trabalhos de Seu Sete da Lira!



Além deste disco, existe outro disco ultra-raríssimo que foi gravado ao vivo se eu não me engano no ano de 1972 (se eu não me engano este que ora comento também foi gravado ao vivo) no próprio terreiro de seu Sete, e um outro LP com composições de D. Cacilda (mãe-de-santo que recebia Seu Sete, e que, segundo pude apurar, ainda está viva, com quase 90 anos de idade) para diversas entidades, e que foi lançado em 1978 com o titulo de "A Brasileiríssima Cacilda de Assis Interpretada por Jorge Ogan" (eu tenho esse disco; qualquer dia desses eu faço uma postagem sobre ele).



Existem ainda matérias publicadas em alguns jornais e revistas, e até mesmo um filme em que Seu Sete é entrevistado, mas que está sumido porque nele (segundo a fonte em que encontrei esta informação) Roberto Carlos e Pelé fazem alusões às suas experiências com espiritismo (e nisto estaria uma faceta da vida destas duas celebridades que há forte interesse em se obliterar, dizem as más línguas).Infelizmente, eu soube que os registros das aparições de Seu Sete na tv se perderam com uma enchente.



Mas afinal, quem era Seu Sete da Lira e daonde vinha sua fama? Seu Sete da Lira é um exu da Umbanda, recebido por D.Cacilda (curiosidade: o primeiro horário de rádio conseguido por Edir Macedo para que ele divulgasse suas idéias foi na "Rádio Metropolitana de Inhaúma", e este programa era transmitido logo depois do programa que D.Cacilda mantinha nesta mesma rádio. Coisas do Brasil...), cuja fama de curador estendeu-se por todo o Rio de Janeiro, talvez até por todo o país.



Seu terreiro era tão grande quanto qualquer templo da Universal e recebia milhares de pessoas em todas as giras, cuja característica principal era as músicas. Sendo ela um dos instrumentos de trabalho de Seu Sete (os outros eram o "marafo" e o charuto) as músicas não se limitavam apenas aos pontos, iam dos sambas as marchas de carnaval, passando por músicas de cunho ainda mais popular, o que, é claro, atraía muita gente ao terreiro. Hoje, o terreiro do Pai Maneco, em Curitiba, tem um estilo de trabalho bastante parecido (se eu não me engano, o presidente espiritual deste terreiro também trabalha com Seu Sete da Lira).



Um belo dia, alguém desafiou Seu Sete a aparecer na tv, e este não se fez de rogado: num belo domingo de 1971 (se não estou enganado) Seu Sete da Lira e sua comitiva se apresentam nos dois maiores programas de auditório da época: o programa de Flávio Cavalcânti e o programa do Chacrinha. Nos dois programas, se fez o verdadeiro ritual de Seu Sete: muitas pessoas entraram em transe ao mesmo tempo em que Seu Sete ria, dançava e bebia quantidades absolutamente inacreditáveis de "marafo" (reza a lenda que a esposa de Médici, o presidente da República na época, incorporou uma pomba-gira enquanto assistia a estas apresentações).



O que marca este episódio é que, com a intensa polêmica que foi acendida com Seu Sete, polêmica esta que contagiou a alta cúpula da Igreja, o governo (estávamos na época mais braba e repressiva da ditadura militar), alguns setores mais conservadores da sociedade e até mesmo alguns umbandistas mais ortodoxos, passou a haver um maior controle da censura nas emissoras de tv, pois, naqueles tempos de "ame-o ou deixe-o", quanto não haveria de subversivo e transgressor no ritual de Seu Sete da Lira num "Brasil Grande" que ninguém segurava, o Brasil que a ditadura queria fazer crer que existia?


Enfim, este disco está classificado naqueles que você não pode desencarnar sem ter ouvido pelo menos uma vez. Muito provavelmente este disco deve ter auxiliado o terreiro a se manter financeiramente (e, consequentemente, deve ter tido uma vendagem razoável), uma vez que eu também soube que D.Cacilda vivia de seu trabalho como compositora, e seu templo (que, segundo pude apurar, existe ainda hoje, embora não funcione mais) não recebia ajuda financeira de ninguém. Uma obra para que nós nos emocionemos com a beleza da Umbanda e sintamos ainda mais orgulho de pertencermos a ela.



E vamos ao colírio, saravando o grande exu Sete da Lira!



Para ouvir a faixa 03, "Guardião dos Caminhos", clique no seguinte link:

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Um plano para um C.A

Saudações a todos! Encontrei este pequeno texto no orkut, e achei bastante interessante... Infelizmente não sei quem escreveu, por isso vou postar sem crédito algum. Para quem não sabe, C.A. é abreviatura de Centro Acadêmico, uma associação que qualquer curso superior minimamente organizado possui, e que congrega estudantes além de ser mantida por eles. É como um grêmio estudantil, mas muito mais pedante, pelo fato de que sempre são dominados por inúmeras facções do movimento estudantil e por outros vagabundos quejandos; por esta razão, a maioria dos C.A.s acaba se tornando o clubinho particular destes elementos, ao invés de ser um espaço dos estudantes que representam.



No caso do campus guarulhense da Universidade Federal de São Paulo (onde todos sabem que eu estudo), o C.A. é o buraco onde os maconheiros, revolucionários e demais desocupados do campus e da região adjacente se reúnem. Ele possui um prédio próprio onde frequentemente se realizam festas (bem legais, por sinal; pena que por causa do meu trabalho eu não pude ficar em nenhuma das últimas que foram feitas!), que no frigir dos ovos é a única coisa realmente útil feita pelo C.A. Por esta razão, eu posto esta pequena sátira que segue, e que dá orientações de grande valia a qualquer juvenil que queira s infiltrar em tal organização:



É isso mesmo, amiguinho evangélico-comunista! Você que gosta do Che Guevara, que pensa que a solução dos problemas do país está em suas mãos! Que acredita em mudança social! E que, por isso, quer fazer parte do C.A., mas não sabe como! Siga estas dicas legalzonas e se torne líder desta entidade enfadonha e utópica:




1 - Escolha uma chapa: arrume amigos tão estupidos quanto você e distribua os cargos. Mas lembre-se de entregar a liderança para o mais homossexual do grupo (sem ofensas aos homossexuais);




2 - Decida o nome da chapa : pensa em um nome grande, sem ritmo e que não signifique nada, e batize a chapa! Trocadilhos são sempre boas opções! Os melhores nomes são aquelas que mais constragem as pessoas. Por exemplo: "Juntando os Cacos", "Tambores Dos Ventos Que Sopram", "As Mulas do Barrão";




3 - Prepare seu visual: para ser líder estudantil sua chapa tem que conter algumas figurinhas carimbadas da fauna universitária. E por isso você vai precisar de um revolucionário zapatista, uma sapatão, um hippie, um intelectualóide e um crente;




4 - Afie seu vocabulário, pois os debates serão fodas! Use chavões e e expressões batidas, como: "Tudo o que é sólido se desmancha no ar" , "O homem é o lobo do homem", "Deus está morto", "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã", entre outras;




5 - Pratique seus repertório de violão: se você vier a ganhar, isso será conveniente e imprescindível para sua gestão dar certo! Procure clássicos dos Engenheiros, Legião e Raul Seixas, e tente acrescentar Catedral, Los Hermanos e Cazuza, que você vai parecer moderno e inovador;




6 - Depois é só esperar algum encontro de militantes e viajar com a galera para defender o ensino gratuito e de qualidade de seu curso em intermináveis debates sem qualquer fundamento...


Salve o colírio alucinógeno!