quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mais uma vez, indo contra o politicamente correto...

Saudações a todos! Este pequeno texto foi extraído de um outro blog, o "Sofrimento Amoroso do Homem", e é mais um libelo contra essa chatice do politicamente correto, além de ser mais uma coisa que não é de minha autoria. Mas o que se há de fazer, se essa gente consegue ser mais genial do que eu? Se eu me esforço como um louco para o resultado de minha lida cerebral seja visto por, no máximo, três pessoas, sem ser comentado por nenhuma delas?



Porém, sou oprimido pelos dois embaraços aludidos por Voltaire: a necessidade urgente e inadiável de falar, seguida pelo embaraço de não ter nada de muito útil ou inédito a dizer ou acrescentar no cotidiano de alguém. E outra, eu preciso variar o conteúdo deste blog, pois não é qualquer um que aguenta escutar outro que só fala de música, não é mesmo? E eis aí algo que não entendo: pessoas que em seus blogs fazem um humor pra lá de escroto, ou dissertam sobre qualquer futilidade ou outras coisas ininteligíveis, conseguem ter centenas ou milhares de seguidores, enquanto eu, que desejo mostrar só um pouquinho de conteúdo, consigo manter com muito esforço dois seguidores...



Não que eu deseje os milhares de seguidores de muitos blogs por aí, alguns realmente merecem o número de seguidores que tem porque são muito bons mesmo, mas que este blog fosse um pouco mais visto, que as pessoas efetivamente dessem sua opinião sobre ele, comentassem as postagens que faço seria muito bom... Assim, eu poderia ter maior certeza que fiz bem em trazer este blog pobrezinho de meu Deus à luz. Pelo menos aqui é um espaço onde tenho liberdade pra dizer o que eu penso sem a necessidade de ter que agradar, atender as vontades ou passar a mão na cabeça de quem quer que seja.



E talvez eu esteja errando em alguma coisa: o nome do blog parece bastante infantil (embora haja uma justificativa bem intrigante para esse nome),ou porque a minha cara não tem uma aparência muito bonita de se ver (eu estou conformado com ela), ou porque eu me prolongo demais no que eu escrevo (hoje todo mundo tem preguiça de ler, e é justamente por isso que somos manipulados pelos outros). Quem sabe uma hora eu não acerto a mão e viro uma celebridade da internet, meus caros? Pois bem, vamos deixar de delongas e ir ao que interessa, essa eterna cruzada contra o politicamente correto...




O politicamente correto é uma arma que permite manipular a opinião coletiva, dando a entender que aqueles que defendem idéias contrárias às dominantes são monstros e pertencem ao mal. As idéias e pontos de vista majoritários são tidos como "do bem" e a capacidade de questioná-los é tida como ato reprovável. Ninguém pode duvidar do politicamente correto, sob a pena de ser tachado, não de ignorante, mas de malvado e até de perigoso.






A hipocrisia do politicamente correto ressalta rapidamente à vista quando defendemos idéias heréticas, que destoem do consenso geral e choquem. É então que comprovamos que os "bonzinhos" se tornam exatamente aquilo que dizem condenar: intolerantes.






Para isolar idéias heréticas, o politicamente as estigmatiza como perigosas e perversas. É assim que alguns pontos de vista se tornam hegemônicos em detrimento de outros. O interessante é que, quando as visões heréticas ousam perturbar, elas não são discutidas, mas somente demonizadas e rotuladas para uma fácil perseguição. Obviamente, a discussão das mesmas terminaria por colocá-las em pé de igualdade com as idéias dominantes e é exatamente isso que o politicamente desespera-se por evitar. A verdadeira liberdade de pensamento apavora o politicamente correto, já que o mesmo sustenta-se sobre a mentira.






Se determinadas formas de pensar são "erradas", porque não se permite a análise cuidadosa das mesmas? Por simples temor de que sejam coerentes a ponto de provocarem reviravoltas e até quebras de paradigmas. O politicamente correto é o guardião da ordem vigente.Se o politicamente correto fosse realmente o que diz ser, demonstraria os erros da idéias heréticas ao invés de usar o recurso baixo da acusação e da manipulação de opiniões. Entendo que a verdadeira filosofia e o politicamente correto são incompatíveis.






Na Idade Média, era considerado politicamente correto elogiar a Igreja e perseguir judeus, bruxas e hereges. Hoje é politicamente correto elogiar judeus e perseguir a Igreja. Ambas as formas de pensar são hipócritas e não permitem o desenvolvimento intelectual da humanidade, ambas encarceram o entendimento.






O que proponho? Proponho que se permita às pessoas pensar o que quiserem e, quando não se goste de determinadas formas de pensar, que se as analise para verificar o que contém e para mostrar os erros que apresentam, ao invés de simplesmente tentar demonizar quem as defende. Se o pensador herege realmente estiver errado, os erros de suas idéias aparecerão. Os erros de um ponto de vista são falhas lógicas e forçosamente aparecem em um escrutínio sincero e cuidadoso.






Todo pensamento unilateral é prejudicial, assinala fanatismo, dogmatismo e retrocesso. A recusa em considerar analiticamente este ou aquele ponto de vista indica irracionalidade e incompetência em desbancá-lo. Sou defensor do pensamento verdadeiramente dialético, o qual exige do pensador a capacidade de considerar pontos vista antagônicos com igual dedicação. Quem é capaz de fazer isso verdadeiramente? (..) A crítica aponta os erros e é por este caminho que uma sociedade evolui.

domingo, 16 de maio de 2010

Moreira da Silva - O sucesso continua - 1968

01. Na subida do morro; 02. Olha o Padilha; 03. Amigo urso; 04. Resposta do amigo urso; 05. Te amo querida; 06. Conto do relógio; 07. Beijo de amor; 08. Rei do gatilho; 09. Dai um jeito nesse mundo; 10. Baile da Piedade; 11. A carne; 12. Apressado queima a boca; 13. Baianinha cheirosa; 14. O velho não bobeia.





Saudações a todos! Depois de um longo tempo sem postar nada (porque é como diria Voltaire: "Existem duas coisas capazes de tornar ridículo mesmo um grande homem: a necessidade de falar e o embaraço por nada ter a dizer"), eu estou voltando com mais um clássico do samba, na interpretação de um dos maiores sambistas brasileiros de todos os tempos: Moreira da Silva!





Eu creio que esta grande figura, que deve ser mais ou menos conhecida dos que passam por este blog, dispensa maiores apresentações: ele foi o criador d um famoso estilo de interpretar sambas, conhecido como "samba de breque"; no meio do samba, o acompanhamento para, normalmente pra se introduzir no samba frases de cunho humorístico. Foi um malandro respeitado em seu tempo (dizem que conheceu o próprio Zé Pelintra em pessoa; pra quem não sabe, Zé Pelintra é uma entidade muito respeitada no catimbó e na Umbanda, que na sua vida terrena foi um respeitado e elegante malandro, detentor de grandes habilidades no baralho e na conquista amorosa), e até hoje é cultuado por grandes nomes do samba e da MPB.





Neste disco, o que impressiona é a vitalidade de "Kid Morengueira", na época com 66 anos de idade (ele morreu em 2000, aos 98 anos; ele costumava dizer o seguinte, alguns anos antes do fim de sua vida: "Meu nome é Antônio Moreira da Silva, tenho o corpo limpo, sem varizes, e continuo afogando o ganso com ar de pavão misterioso"); ainda estava cantando e atuando como um rapaz de seus 20 ou 30 anos, esbanjando vitalidade com sua voz. No disco, a maioria das músicas são regravações de sucessos de outras épocas, mas ainda há algumas faixas exclusivas. A que eu escolhi para lhes mostrar, "A carne", é o samba mais pessimista que eu conheço (acho que nem Nelson Cavaquinho chegou perto com qualquer um de seus sambas):





Se eu pudesse evitar viver sobre essa terra/Se eu pudesse, lhe trataria com muito carinho/ É nessa terra/que plantamos pra colher nossos alimentos/Quando eu a piso, revolta os meus sentimentos/Sei que a terra não/tem compaixão de mim/ Porque/necessita do meu fim/O alimento da terra é a nossa carne/A terra é muda e não diz nada/Mas sei que precisa de mim/Eu vivo nessa terra/Mas sou um pobre coitado/Por essa terra/eu serei exterminado...





É bem forte, não? Pois bem, me desculpem se eu não estou conseguindo ser mais digressivo, mas é que estou escrevendo com muita canseira e sem muita inspiração, aqui do meu serviço (durante o horário de almoço). Este disco é um dos melhores que o Moreira gravou, e pra variar está no rol dos que voê deve ouvir primeiro pra morrer depois. E mais: este disco foi gravado pela Cantagalo, que segundo a capa do disco se localizava na Rua Catumbi, que com suas casinhas antigas de vila operária é um dos lugares de aparência mais romântica de São Paulo, bem nas portas de minha amada Vila Maria (mais precisamente no bairro do Belenzinho, entre a Vila Maria e o centro de São Paulo)...





E vamos ao colírio alucinógeno, meus leitores!





Para ouvir a faixa 11, "A carne", é só clicar no link abaixo:

domingo, 28 de março de 2010

Liu e Léu/Duo Guarani - Paulistas x Mineiros - 1965


01. Canção do sertanejo; 02. Querido amor; 03. Tempo de criança; 04. Juca Bento; 05. Deus te pague; 06. Nem um balão; 07. Aliança de noivado; 08. Pra que beber; 09. Lembrança; 10. Sempre contigo; 11. Perdiz matogrossense; 12. Jogador na igreja.



Saudações a todos! Hoje, eu volto a fazer o que eu mais gosto de fazer neste blog, que é resenhar um disco de meu gosto que faça parte de meu acervo musical... Me desculpem, mas o fato é que eu sou um aficionado por música e gosto de compartilhar essa paixão com as (ainda) poucas pessoas que passam por este blog... Preciso variar um pouco o conteúdo deste blog e estou tentando fazer isso, mas o coração é que me governa...






Como eu já devo ter falado, eu aprecio muito a música caipira, por inclinação de família. E este disco que ora resenho, que não é muito conhecido (apesar de não ser difícil encontrá-lo para download), é em minha modesta e ínfima opinião um clássico da música caipira brasileira; as cinco primeiras músicas do disco são interpretadas por Liu e Léu, uma das mais famosas duplas caipiras brasileiras (ainda hoje atuante, com mais de 50 anos de carreira) e membros de uma família de famosos músicos sertanejos (são irmãos do recentemente falecido Zico e do Zeca - outra dupla sertaneja não menos famosa - e primos do saudosos Vieira e Vieirinha. Por sinal, essas três duplas são as minhas favoritas..).






As restantes músicas são interpretadas pelo Duo Guarani (para quem não sabe, duo é uma dupla formada por um casal - homem e mulher; infelizmente não consegui obter informação alguma sobre esses artistas. Talvez eles só tenham gravado esse disco, ou eram artistas solo que se juntaram para a gravação do disco, ou posteriormente botaram outro nome no duo. Se algum leitor souber alguma coisa a respeito, me escreva...) Ao que parece, partiu da Chantecler (que era um selo da RCA Victor, pelo qual gravaram a maioria, se não todas, as duplas sertanejas famosas das décadas de 50/60. No catálogo deste selo, se podem encontrar verdadeiras obras-primas da música caipira) a idéia de, ao promover um encontro entre artistas paulistas e mineiros (Liu e Léu são de Itajobi, no interior de São Paulo, e esse Duo Guarani certamente deveria ser de algum lugar de Minas; esses dois estados são a terra matriz e de excelência na música e na cultura caipira), promover por acréscimo a música caipira.






E o resultado final demonstrou-se excelente: este disco, além de estar no rol daqueles que você não deve desencarnar sem ter ouvido pelo menos uma vez, é um verdadeiro monumento à música popular do sertão brasileiro, e que a meu ver é indispensável para quem quer conhecer o que foi em outros tempos a música sertaneja deste país. Para muitos de nós, que fomos criados no meio urbano, esta obra pode até parecer brega demais, mas a música do tempo e do lugar que esse disco aborda é uma música que se utiliza de outra linguagem para exprimir sua mensagem. E outra: este blog só comenta música de qualidade, portanto aos fãs do créu, do piloto da faixa de Gaza, do rebolation, das bandinhas mela-cueca e de outras estupidezes quejandas, só me resta dizer, como está mesmo no funk do piloto da faixa de Gaza: "quem não gosta [de boa música], eu só lamento!".




Hoje eu farei uma coisa diferente: para demonstrar melhor o teor desse disco que eu resenhei, eu vou aumentrar um pouco a dose do alucinógeno, botando duas músicas ao invés de uma. E se algum leitor gostar, é só ver a minha lista de blogs e ir no "Saudade da Minha Terra", que a versão integral da obra está lincada ali. E vamos ao colírio alucinógeno, porque as lutas da Semana Santa só estão começando!



Para ouvir a faixa 01, "Canção do sertanejo", na interpretação de Liu e Léu, é só clicar no link abaixo:



E para ouvir a faixa 09, "Lembrança", na interpretação do Duo Guarani, clique aqui:
http://www.esnips.com/doc/4403ebc8-a6c0-477f-a22e-37658b47b39f/Lembrança-Liu--Léu





"Só não gosto de pessoas que pensam em 1 e 0 e dizem que quem não faz isso está em cima do muro"

Esta é a frase do dia, proferida em mais um debate infrutífero entre os alunos de humanidades da Universidade Federal de São Paulo...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Afinal, Cuba é ou não é uma ditadura?

Saudações a todos! Eu estou agora transcrevendo um texto escrito por mim na comunidade do campus guarulhense da Universidade Federal de São Paulo no orkut, e que procurava responder a seguinte pergunta lançada em um debate: "Cuba é ou não uma ditadura?"


Pois bem, fazendo bom uso desse espírito de laicidade que me é nato, eu exprimi minha opinião na forma do que está escrito a seguir. E, é claro, para ir ao encontro da proposta principal deste blog, que é discutir sobre as coisas com a liberdade de um leigo. Assim sendo, eu tentei responder à questão da seguinte forma:


O que aconteceu e acontece em Cuba e outros países quejandos só nos mostra o seguinte: construir uma sociedade que consiga ser efetivamente soberana e que promova a justiça social é muito mais difícil do que Marx e seus "intérpretes autorizados" imaginavam.


Enquanto boa parte dos países do mundo não promove a justiça social simplesmente porque ou não conseguem sequer ter uma existência estável como nação independente, ou porque não há quase nada a se dividir com o povo para ser revertido em benefício deste, vemos um país que consegue sobreviver por 50 anos (ainda que aos trancos e barrancos) à um embargo econômico que mesmo uma nação desenvolvida talvez não aguentasse dois anos. Somente uma nação saudável e bem educada conseguiria tal proeza.


Mas é claro que as pessoas, quanto mais saudáveis e educadas elas são, o poder de entender e até mesmo de questionar a realidade em que elas vivem aumenta. Elas começam a se perguntar: "Se eu tenho um padrão de vida em que eu tenho uma segurança social boa, porque eu não posso comprar (por exemplo) uma televisão melhor do que a que eu tenho?"Ou esta: "Se eu tenho vontade de comer um doce ou até mesmo de limpar o meu cu com papel higiênico (o que, no caso é uma necessidade mais do que elementar), porque eu não posso ter um bombom pra saciar a minha sede de glicose e porque eu tenho que pegar uma fila enorme pra comprar o jornal do partido pra poder me limpar, enquanto os estrangeiros que vêm para cá podem ter acesso a tudo isso?" Ou ainda "Se a revolução é popular e nós somos o povo, porque não podemos decidir que rumos a revolução deve tomar, já que somos a força que sustenta a revolução?"E as perguntas não param por aí...


No começo, as pessoas até contemporizam com certas restrições, por entender que um processo de construção de uma nova sociedade naturalmente comporta certas dificuldades e sacrifícios a que nos devemos submeter. Mas conforme o tempo vai passando e a situação de aperto não muda, as pessoas evidentemente começam a questionar a situação.E daí surge a revolta. E, para que os anseios do povo sejam atendidos, só a retórica revolucionária e suas palavras de ordem não bastam.


Há um episódio da guerra de independência dos EUA que ilustra bem isso. Nos dois primeiros anos desta guerra, que durou de 1776 a 1781, os americanos estavam apanhando dos ingleses (a balança só pendeu para o lado dos americanos porque os franceses entraram na jogada); durante uma marcha do então esfarrapado exército americano, George Washington e outros oficiais (que nunca se arriscavam diretamente nas batalhas e nem passavam fome) tentavam animar a tropa grtando: "Liberdade!" "Liberdade!". Mas os soldados, que ja estavam famintos, exaustos e cansados de lutar, respondiam assim: "Comida!" "Comida!".


Pois bem, efetivamente é dificil dizer se Cuba é ou não uma ditadura, pois se ela é ou não uma ditadura, caberia ao seu povo decidir isso, e se for o caso, de alterar ou destruir esta ordem política. O que se pode dizer é que ela veio mostrar ao mundo que a revolução não é e não pode ser uma via de mão única. Que não cabe e jamais caberá a divisão maniqueísta entre direita (os malvados) e esquerda (os bonzinhos). Pois, como diria Marx (se eu não me engano na "Miséria da Filosofia"), mesmo os revolucionários têm que se renovar constantemente pra não se tornarem conservadores, pois a revolução é um desafio permanente, que jamais se esgota e exige constante renovação de objetivos, fazeres e idéias. O que certamente não estamos sequer preparados para fazer. Ainda...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os dez mais da Umbanda...


Saudações a todos! Em certa ocasião, eu fiz uma alusão a pessoa de William Oliveira (mais conhecido como Mestre Obashanan), que além de excelente percussionista, crítico musical e mantenedor do blog "Acervo Ayom: música é espírito" (que nos mostra parte do acervo musical da Faculdade de Teologia Umbandista, o maior e mais completo acervo da música de terreiro brasileira) , é reconhecidamente um dos maiores lutadores da causa umbandista na atualidade.



E se vocês olharem minha lista de blogs, notarão que há um link para o "Acervo Ayom", e, mais do que isso, notarão que este meu humilde blog (que tenho a incrível teimosia de manter no ar há exatos 197 dias) é fortemente inspirado no "Acervo Ayom", praticamente imitando seu formato. Pois bem, indo ao que interessa, entrei em contato, via formspring, com Mestre Obashanan, e lhe pedi que fizesse uma lista de dez discos de umbanda fundamentais. E, ele respondeu a pergunta da maneira que segue abaixo, com indicações das resenhas que ele fez para cada um de seus discos ( e que, por sinal, são de leitura altamente recomendável):



Saudações! Você poderia me citar 10 discos de umbanda que não podem faltar no acervo musical de qualquer pessoa interessada na música de nossa religião? - Adriano Oliveira



Saravá, Adriano. A lista é extensa e sintetizar em apenas dez discos é uma tarefa difícil, pois teríamos de tentar entender o que é exatamente Umbanda antes de criarmos uma lista do tipo. Pois existem Umbandas que possuem relações com os Candomblés, com as Encantarias e com o Catolicismo e Religões Orientais. Além disso, teremos - se é que entendi sua pergunta - que excluir os discos que chamamos de "Música de Inspiração Umbandista", e a MPB de todos os tempos que possui influência inquestionável dos ritmos, da harmonia e da melodia dos terreiros. Mas vamos lá, vou considerar os discos de Umbanda de terreiro, gravados em estúdio ou ao vivo, cantados em português, ok? E não vou fazer a lista semelhante aos "Dez hits da macumba", mas sim, pensando na importância histórico-musical dos mesmos, ok? São todos discos muito bons!



1)Ponto de Umbanda Girassol - 1970 - Clássico absoluto, um disco perfeito em quase todos os sentidos: da gravação à autenticidade. Veja a resenha aqui: http://acervoayom.blogspot.com/2007/08/pontos-de-umbanda-girassol-1970.html






2)Umbanda e seu ritual – Pró-Construção do Hospital Umbandista – 1970 - Tanto pela proposta do disco, quanto pela importantíssima participação de J.B. de Carvalho e de J.M. Alves, o criador do hino da Umbanda, além da curiosa presença de "Seu Pereirinha", provavelmente a primeira gravação de uma entidade incorporada cantando em estúdio. Leia aqui: http://acervoayom.blogspot.com/search/label/Umbanda?updated-max=2007-08-20T23%3A22%3A00-07%3A00&max-results=20






3) Pai Edu - Palácio de Yemanjá - 1972 - Tanto pela raridade deste disco quanto pelo fato de Pai Edu ter sido o pai de santo de Clara Nunes, quanto pela curiosidade do rito que Pai Edu fazia - uma espécie de protótipo macumbístico do Padre Marcelo - este disco deve ser muito bem observado em sua importância histórica e temática. Leia aqui, zifio: http://acervoayom.blogspot.com/2007/07/palcio-de-iemanj-1972.html






4)Aruanda - 1970 - Uma maravilha, talvez o retrato mais fiel de uma Umbanda que está acabando. O registro rústico e honesto de pessoas que deixaram para a posteridade seu canto e sua fé; Aqui: http://acervoayom.blogspot.com/2007/06/aruanda-1970.html






5)No Reino da Umbanda – cantos do ritual - Prov. anos 60/70Outro disco maravilhoso e raro. http://acervoayom.blogspot.com/2006/11/no-reino-da-umbanda-cantos-do-ritual.html






6)Cruzeiro das Almas - Edição Nova - Ponto de Preto Velho é aqui! http://acervoayom.blogspot.com/2006/09/cruzeiro-das-almas-edio-nova.html






7)Saravá Umbanda - 1966 Um disco misterioso, curioso e muito bom. Obrigatório: http://acervoayom.blogspot.com/2006/10/sarava-umbanda.html






8)Todo mundo quer Umbanda - Pai Pedro Miranda e Terreiro d´Aruanda de Mestre Arapiagha e Mestre Yapacani. Esses dois registros de nossa gravadora são essenciais para se entender a Umbanda de 1908 até 2000. Duas escolas importantíssimas que praticamente nunca havia sido gravadas. Aqui: http://ayomrecords.blogspot.com/2008/06/lanamento-incrvel-todo-mundo-quer.html e aqui: http://ayomrecords.blogspot.com/2009/11/lancamento-historico-terreiro-da.html






9)Pontos de Umbanda - 1970 - As origens da Umbanda Paulista, um clássico maravilhoso! Aqui: http://acervoayom.blogspot.com/2006/10/pontos-de-umbanda-primado-de-umbanda.html






10)Templo de Umbanda Nagô - Um disco antológico, raro e importantíssimo para se entender as origens da Umbanda gaúcha, fortemente enraizada nas matrizes indígenas: http://acervoayom.blogspot.com/2006/10/templo-de-umbanda-nag.html






Com dez, fica muita coisa de fora, principalmente dos anos 20/30, da época dos vinis de acetato, onde havia apenas uma faixa por lado. Observe que a maior parte desses "clássicos" são dos anos 70, época em que a música de terreiro estava por cima e era muito bem aceita. E há muita coisa boa nunca lançada, que temos no acervo, em fitas, mp3 e outros. Não sei se concorda com meu set list, mas acho que deu prá enxergar mais ou menos o panorama do que é a música de terreiro de Umbanda em sua abrangência. Axé! Ayan irê Ô!






Pois bem, meus senhores, aí está a opinião de um dos maiores (se já não é o maior) especialista em música de terreiro. Na verdade, apesar de não achar esta lista ruim - é muito boa, por sinal - eu tenho uma opinião um pouco diversa da deste mestre. Até porque, em parte das obras citadas, eu não tive o prazer de poder ouví-las na íntegra, visto tratarem-se de discos raros - por isso mesmo relativamente caros para um humilde funcionário público - dos quais não encontramos no grande oráculo Google mais do que duas ou tres referências (que geralmente são essas: a resenha do disco no "Acervo Ayom", uma citação no blog "Acervo Tambor" - que é o inventário de um colecionador de discos de terreiro - e, com um pouco de sorte, um anúncio da venda de um exemplar desta obra no Mercado Livre).






O que eu possuo comigo eu consegui, em sua maior parte, graças ao esforço de pessoas que possuem as obras e gentilmente disponibilizaram-nas para download gratuito. Outras coisas eu consegui em sebos e em lojas de umbanda. Eu mesmo tenho algumas obras que pretendo jogar na web para download dos interessados, que atualmente estão no mesmo pé que eu citei: quase sem referências. Com o tempo, eu vou jogando algumas coisas que eu tenho aqui comigo para download dos interessados, pois fazer o upload das obras demanda mais tempo do que atualmente eu disponho, além de eu sempre ter de renovar os arquivos para que seu download esteja sempre disponível.






Quando eu tiver tempo, também farei o meu set list de discos da Umbanda, ok? Até porque eu não posso fugir da proposta inical deste blog, que prtende falar de tudo com a liberdade de um leigo. E, na minha condição de leigo, posso opinar livremente sobre as coisas, de maneira um tanto inconsequente até...






Agora, vamos a nossa dose de colírio alucinógeno..

sábado, 9 de janeiro de 2010

Germano Mathias - Hoje tem batucada - 1959





01. Bronca De Marilu; 02. Sabão Na Panela; 03. Malvadeza Durão; 04. Mexi Com Ela; 05. Vigarista De Terreiro; 06. Recordando a confusão; 07. Forca do perdão; 08. Romeu E Julieta; 09.Sinfonia da Goteira; 10.Juca do Paulistano; 11. Amélia Granfina; 12. Paraiso da Tereza.



Saudações a todos! Inicio a primeira postagem deste ano com mais uma do grande e inigualável sambista Germano Mathias. E como aconteceu na última postagem que eu fiz dele, aviso que em 199 a RGE lançou em um único cd os dois discos que Germano Mathias gravou por ela, omitindo duas faixas de cada disco. Deste disco que ora comento foram omitidas as faixas " Sabão na Panela" e "Sinfonia da Goteira". Bem, o blog "Um Que Tenha" (há um link pra lá na minha lista de blogs), bem depois de eu ter comentado o disco "Em Continência ao Samba" postou a versão integral desta obra. Quem sabe aquele que se identifica como "Fulano Sicrano" (o mantenedor do blog) não consiga a versão integral do "Hoje tem Batucada também?"



Pois bem, como eu já havia comentado, Germano Mathias é realmente um sambista único, pois, com o seu cantar cheio de bossa e cadência, representa um estilo de se interpretar sambas quase extinto, que teve representantes do porte de Ciro Monteiro, Jorge Veiga, Vassourinha, Dilermando Pinheiro, Caco Velho, entre outros que me fogem o nome, além do próprio Germano. Pena que hoje em dia tal estilo, e com ele seus representantes, não sejam sequer conhecidos pelas gerações mais contemporâneas; hoje em dia, o negócio é "proibidão", e pagode mela-cueca; com um pouco de sorte, encontramos entre os mais jovens quem goste de samba contemporâneo, mas daqueles mais antigos, donde os sambistas contemporâneos beberam na fonte, quase ninguém conhece ou tolera...



Creio que vocês puderam notar que eu não sou muito tolerante com música; até gosto de certos grupos de pagode, e também gosto um pouco dos "três malditos" (Raul Seixas, Cazuza e Lobão) do rock nacional e também de música caipira, bem como um pouco de mpb da "Época de Ouro" e de música umbandista, mas nada pode me dissuadir da opnião de que o gosto musical das gerações mais jovens é, via de regra, bastante degenerado. E que, infelizmente, pouco nos resta fazer a não ser lamentar este fato e seguirmos resistindo a essa onda alienante que ousadamente usurpa o nome de cultura...



Eu até entendo que o gosto musical tem muito a ver com o histórico de vida das pessoas. Por exemplo, hoje em dia quase ninguém jovem gosta de música caipira porque hoje em dia a maioria dos seres humanos deste país vive em cidades; o Brasil de hoje é um país essencialmente urbano e metropolitano, mas há 50, 60 ou até mesmo 70 anos atrás (quando a maioria das duplas caipiras famosas iniciaram sua carreira), o Brasil era um país majoritariamente agrícola e rural, e a indústria começava a ganhar força; isso só começou a mudar à partir do advento da ditadura militar (veja bem, eu não estou elogiando o período mais nefasto de nossa história, ó comunistas indignados!), com o início da penetração da TV nos lares brasileiros como meio de comunicação de massas e a consolidação de "nossa breve revolução industrial", o que gerou um forte êxodo das áreas rurais para as áreas urbanas industrializadas.



Pois bem, praticamente todas as pessoas da minha geração que eu conheço foram nascidas e/ou criadas na cidade de São Paulo ou em seu conglomerado metropolitano (Guarulhos, onde resido, é uma destas cidades; também é uma cidade grande, a sexta maior do Brasil, apesar de seu governo e modos provincianos), e por conseguinte tem a mentalidade do homem urbano; como poderiam entender e apreciar uma música que fala de coisas relativas a vida rural, se isto é uma coisa que não faz parte da vida deles? Como poderiam apreciar uma múisica que fala, por exemplo, de pescaria e de canoeiros, se vivem numa área onde praticamente não existem rios ou córregos que não estejam poluídos por esgoto? Como poderiam apreciar músicas que falam da lida do gado, de invernadas e querências, se podem contar nos dedos de uma mão os bois e vacas que já viram de perto na vida (e até mesmo a lida do gado já não é um negócio tão rústico como era antigamente)? Eu mesmo talvez só gosto de música caipira porque fui criado perto de meu avô paterno (que já citei em postagem anterior), que sabe tocar viola caipira, o que me introduziu neste gosto musical e nesse Brasil que praticamente não existe mais.



Mas, voltando ao disco (vocês notaram que adoro me perder em digressões), ele está mais uma vez no rol daqueles que você não pode morrer sem ter escutado. Como vocês notaram, a maioria das obras que comento neste blog têm tal classificação. Mas, o que eu poderei fazer? Eu não tenho culpa de Germano Mathias e outros quejandos serem tão talentosos... O que nos cabe fazer é rendermo-nos ao seu talento e a sua bossa..
E vamos saravar o colírio alucinógeno!
Para ouvir a faixa 07, "Forca do Perdão", é so clicar aí embaixo: