terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tá aqui o link do disco da Genimar pros esfomeado...

Pra que ninguém mais me perturbe, está por enquanto nesse endereço o disco da Genimar, "Saravá Seu Zé Pilintra":

http://www.mediafire.com/?owp4ye5jmoh9ktt

Em breve, o blog "Discos de Umbanda" provavelmente também estará disponibilizando esse disco, e como aqui há um link para esse blog, quando o que eu pus no mediafire expirar é só ir pra lá, ok?

Por enquanto é só isso.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O que é remar contra a maré, ser excêntrico ou simplesmente esquisitão...

Esse aí é o time do XV de Jaú, em sua penúltima partida oficial, onde perdeu em casa pro Noroeste de Bauru por 1 a 0, no dia 14 de agosto. Infelizmente, um dos mais tradicionais times do interior hoje está meio ruinzinho das pernas... Mas logo vai melhorar, se Deus quiser!




A breja do glorioso Galo da Comarca!



Saudações a todos! Eu não podia deixar de falar de um assunto que interessa muito a nós, que é o futebol. E se eu vou falar de futebol, é claro que eu vou falar do meu time, o glorioso E.C. XV de Novembro de Jaú.Mas porque torcer pra esse time, numa terra em que muita gente nem sabe que existe um time com esse nome? Pra começar, eu poderia dizer que o XV de Jaú está indissoluvelmente ligado à história de minha família. Além de toda a família de meu pai ser de lá, há fatos curiosos que envolvem o Galo da Comarca e a minha família. Senão, vejamos:








Meus avós, quando começaram a namorar, tinham entre seus passatempos sair de jardineira da fazenda onde viviam e ir assistir os jogos no antigo estádio do XV de Jaú, e assim puderam ver os primeiros jogos do Galo na primeira divisão do Campeonato Paulista. Enquanto o germe de minha família estava se formando, a história de um dos mais tradicionais times de São Paulo acontecia diante de seus olhos.Em segundo, minha avó chegou a trabalhar na fábrica de refrigerantes que hoje patrocina o XV, numa época em que muitas fábricas (mais notadamente as têxteis e as alimentícias) admitiam o trabalho infantil, apesar de este já ser proibido por lei.








Pois naqueles tempos se considerava que as crianças não deviam ficar ociosas, e uma das formas de evitar o ócio infantil era fazer com que as crianças tivessem uma ocupação que rendesse alguns trocados miúdos, seja aprendendo algum ofício (como o de alfaiate e o de sapateiro, por exemplo; meu pai até hoje conserta as roupas da família porque minha avó pôs ele junto de um alfaiate), fazendo pequenos serviços para gente conhecida (como fazer "carreto" nas feiras, ou servir de moleque de recados, por exemplo) ou até mesmo fazer serviços simples dentro das fábricas. No caso em questão, minha avó diz que ela e outras crianças botavam rolhas de cortiça nas garrafas de refrigerante...








O que parece ser bem risível (pelo menos todos para quem eu contei este fato se racharam de rir), mas a minha santa avozinha, mais do que ser apenas a mãe de meu pai, é uma entidade sacrossanta intocável acima do bem e do mal (como todas as boas avós); por esta razão, cumpre-me dar crédito às suas espantosas revelações. E, por último, meu avô (o violeiro de quem eu falei em postagem anterior) chegou a cantar junto com seu irmão por duas vezes na Rádio Jauense, que hoje transmite os jogos do XV de Jaú para o mundo via internet (praticamente é a única forma de acompanhar os jogos para quem mora a 300 quilômetros de Jaú. As vezes a Rede Vida, que só mostra esses jogos perdidos do interior de São Paulo, transmite alguma partida). Enfim, eu creio que já dei provas suficientes, não?








Mas vou confessar que essa paixão é bem recente, começou no ano passado, depois de eu ter visto um vídeo onde o XV de Jaú goleava o Corinthians por 3 a 0, no Campeonato Paulista de 1977, o mesmo em que o Corinthians saiu daquela longa fila de títulos. Eu não sei o que houve de mais especial neste jogo: se o fato de o XV estar usando um uniforme parecido com o da Seleção Brasileira, se foi pelo placar relativamente elástico ou se foi porque esse jogo até hoje é o recorde de público do atual estádio do Galo da Comarca: 24 mil pessoas, mais ou menos. Ou ainda pode ser porque este jogo enganou muitos apostadores da Loteria Esportiva (isto é mera suposição minha), no tempo em que a Loteria Esportiva valia alguma coisa.








O que eu sei é que este singelo jogo até hoje é mais comentado do que os dois Paulistas da segunda divisão que o XV ganhou (até hoje os únicos títulos profissionais da equipe), ou do que as duas vezes que a equipe jogou o Campeonato Brasileiro. Todos que eu já ouvi um dia falarem alguma coisa do XV falam desse jogo... Pois bem, hoje em dia é uma dificuldade se torcer para um time que segue o mesmo rumo de muitos times do interior: já teve o seu lugar no sol junto dos grandes clubes, mas hoje luta com todas as forças para não acabar. O problema é que o XV de Jaú e muitos outros times pegaram uma época em que bastava a paixão clubística ou a boa-vontade de um único patrono mecenas pra se manter um time no profissionalismo.








Hoje em dia, sem muito dinheiro e sem um rígido planejamento empresarial nenhum time vai pra frente... Talvez algumas pessoas pensaram que aquele período romântico que era uma mistura da paixão clubística varzeana com o profissionalismo nunca ia acabar, mas quando o dinheiro entrou de vez na jogada, muitos times de tradição viram sua ruína. A maioria dos times pequenos monta as pressas uma equipe pra jogar um campeonato, e tão logo o campeonato termina, manda todos os jogadores embora, isso quando consegue pagar os salários de todo mundo.








Ou as vezes entrega a algum empresário a administração das categorias de base, onde a equipe só entra com a camisa e o estádio. Quando o contrato acaba, o dinheiro e os jogadores vão embora, e se porventura aparecer um cara bom de bola, o empresário vende ele e o clube não ganha um real sequer. Não existe um projeto para formação de jogadores que possam futuramente integrar a equipe. Enfim, estes e outros problemas colocam os times menores num fosso intransponível em relação as equipes maiores. No caso do XV, o time está começando agora a se reerguer financeiramente, mas parece que o atraso em relação a outras equipes anda vai demorar pra ser superado.








Eis que nós temos o desejo de escapar da mesmice. O Brasil tem milhares de equipes profissionais, porque nós só temos o direito de torcer por no máximo 30 ou 40 delas?, ou se torcermos por um time pequeno (geralmente o time da cidade ou do bairro em que moramos) ele deve ficar como segundo time, e um time grande deve obrigatoriamente ser nossa paixão? Só porque as emissoras de TV e suas patrocinadoras estão mandando? Torcer por um time enquanto ele está por cima, só ganhando, é muito fácil; no país do futebol, os bons jogadores e os craques surgem a toda hora, arrastando consigo o habitual séquito de fãs para si e para suas equipes. Como diria meu irmão, isso não é amor, é fogo no rabo.








Agora, torcer para um time que teve seu momentos de glória, mas hoje mais se fode do que se dá bem, ir no estádio e voltar completamente queimado de sol ou empapado de chuva até os ossos, comemorar com euforia cada vitória e até mesmo cada gol do time, é muito difícil, talvez até impossível. Mas é amor verdadeiro. Neste ano, numa partida em que o XV ganhou da Itapirense por 3 a 1 e se classificou para a segunda fase da terceira divisão do Campeonato Paulista, e eu estava acompanhando via web pela Rádio Jauense, quando o Galo fez o primeiro gol eu dei um grito arrancado do fundo de minha alma, de tal forma que todos pensaram que eu estava louco, ou que tinha visto uma ratazana entrar dentro de casa. Ninguem imaginaria que em plena manhã de domingo, dia das mães, haveria um jogo de futebol, ainda mais um jogo do XV de Jaú.








E na partida contra a Ferroviária, no começo da segunda fase? O jogo estava sendo transmitido pela Rede Vida, e o XV acabou perdendo em casa de goleada, mas até um pedaço do segundo tempo estava empatando o jogo depois de sair perdendo por 2 a 0, e estava perseguindo a virada. Eu consegui acordar a casa inteira com meus gritos de incentivo ao Galo (na noite anterior, todos voltaram de uma festa que terminou pelas altas horas da madrugada; não os acompanhei em virtude das minhas obrigações de terreiro), o que serviu somente pra deixar os ânimos mais exaltados, pois o XV de Jaú perdeu esse jogo por 5 a 2, graças a algumas falhas do goleiro. Aliás, não ganhou uma partida sequer na segunda fase, e por isso perdeu a chance de subir para a segunda divisão do Campeonato Paulista.






Por esta razão, meus senhores, devemos seguir a voz de nosso coração. Que pecado há em amarmos uma mulher feia, se nós a considerarmos bonita, ela sempre é solicita e faz de tudo pra nos agradar? Ou talvez nosso amor seja o mesmo que uma mulher tem por seu marido alcóolatra: a cada dia parece que o sujeito vai se afogar de vez no álcool pra não se levantar mais, mas a mulher que o ama jamais perde a esperança e pede com fé a Deus e aos orixás que ele largue a bebida e se torne um bom esposo.... E assim vai tocando a vida...

domingo, 20 de junho de 2010

A Brasileiríssima Cacilda de Assis Interpretada por Jorge Ogan - 1978

01. É o pino da hora grande; 02. Assim não dá; 03. Deusa da beleza; 04. Cabocla Jurema; 05.Manto de Iemanjá; 06. Oiê caninana; 07. Deusa do mar; 08. Xangô, deus do trovão; 09. Louvação a Nanã; 10. Iansã; 11. Papai Ogun; 12. Eu criei cobra.



Saudações a todos! Como eu já havia prometido em outra postagem, eu irei comentar este disco, que foi um dos três LPs que foram gravados na inspiração de Seu Sete da Lira...Eu tento não falar só de música, até pra não ficar chato e pra ver se eu consigo fazer com que mais gente veja e conheça o árduo trabalho deste blog, mas além do escasso número de leitores permanecer o mesmo, eu não consgo deixar de dar ouvidos ao que o meu coração manda, pois é ele que me governa... E, sendo assim, não conseguirei deixar de falar de música, até porque o meu sentimento pela música expressa muito bem o o espírito deste blog, que é falar de vários assuntos de meu agrado com a liberdade de um leigo.



Pois eu não entendo absolutamente nada de teoria musical, meus senhores, e sequer sei tocar qualquer instumento musical! Estou tentando aprender a tocar atabaque; a título de curiosidade, atabaque é um tambor cônico de madeira de origem árabe, no qual se estica em uma das bocas - a mais larga - um couro de boi, de bode ou de cabrito. A afinação desse instrumento é regulada ou por parafusos ligados à armação de metal que está prendendo o couro no tambor, ou por cordas presas ao couro. Ele pode ser tocado com as mãos, ou com varinhas de madeira chamadas aguidavis.



É um instrumento muito utlizado na capoeira e nos rituais religiosos de matriz afro-brasileira, como o candomblé e a umbanda (no caso dos rituais, o instrumento deve ser consagrado a determinado[s] orixá[s] e/ou entidade[s], num processo que praticamente equivale à reconfecção do instrumento. A partir desse processo, o som do tambor é o veículo de todo o trabalho espiritual dos terreiros; através do som dos atabaques conjugados às cantigas de fundamento, os orixás e demais entidades sagradas se manifestam, conduzem os trabalhos e retornam ao mundo espiritual).



Por esta e por outras razões, geralmente só pessoas iniciadas no culto podem tocar os tambores de um terreiro, sendo que esses iniciados comunente recebem o nome de "ogan" (no candomblé isso é mais forte, mas na umbanda é bastante comum que alguns terreiros, principalmente os que são abertos recentemente - mais comunente em dias de festa, mas as vezes em todos os trabalhos - paguem para ter um ogan que toque o atabaque. Esse pagamento pode ser em dinheiro e/ou em alguma bebida forte. Isso ainda acontece porque não existem muitas pessoas que tenham aptidão real para tocar um atabaque. Os que realmente sabem, cientes de sua habilidade, não ensinam de graça. E, claro, somente ensinam como executar os ritmos sagrados, não o fundamento que está por trás da função de um ogan, pois o fundamento é algo esotérico, só revelado aos iniciados na calada da noite e a luz de velas, meus caros!).



E eu estou tentando aprender o modo de tocar o atabaque no ritual de umbanda (existe uma sequencia de uns 22 ritmos sagrados, e na umbanda se usam mais ou menos uns 7 deles, e cada um geralmente tem variações). O mestre com o qual eu estou aprendendo toca o instrumento com incrível naturalidade, enquanto que nas minhas batidas é evidente a tensão de minhas mãos para não errar a sequência das batidas em cada toque, quando uma mão bate, a outra já fica tensa aguardando a vez de entrar. Além de tocar o instrumento, esse mestre também recebe algumas cantigas sagradas, o que é um dom mediúnico dos mais raros. Quem sabe um dia eu não consigo aprender a tocar atabaque de maneira mais decente??



Fora isso, meu conhecimento e meu gosto musical são mais subjetivos do que realmente fundamentados em uma teoria... Mas em compensação, um leigo jamais tem que revelar suas fontes... Como vocês podem ver, eu já fugi completamente do disco que vou comentar, mas esse é um costume meu: eu começo falando de uma coisa e vejo que há um gancho que não posso perder, e aí me distancio do assunto inicial... Mas é nesses ganchos que eu demonstro um pouco do meu "saber de ignorâncias feito" (na expressão de um grande escritor - leigos não citam fontes, senhores!).



Finalmente chegando ao disco, de todos os que foram feitos na inspiração de Seu Sete da Lira, este foge a regra: os dois anteriores foram gravados ao vivo no ritual de Seu Sete, e este é uma reunião de composições de D. Cacilda (mãe-de-santo que recebia Seu Sete da Lira; segundo pude apurar, ela faleceu há alguns meses atrás) para outras entidades, embora haja algumas faixas que façam referências ao Seu Sete. Ainda segundo soube, Jorge Ogan e os demais músicos que participam deste LP eram filhos-de-santo do terreiro de Seu Sete, nesta singela homenagem à Umbanda. É um disco bastante agradável de se ouvir, na minha opinião um dos melhores discos de Umbanda.



Porque em cada uma das faixas deste disco, se nota a inspiração de D. Cacilda ao compor as músicas (inspiração certamente dada por Seu Sete), a competência dos músicos que participam deste disco... E a interpretação de Jorge Ogan? Ah, meus senhores, é uma voz própria pra nos fazer entender e gravar em nossos corações o que é a Umbanda, com seus orixás e suas entidades sagradas, que nos fazem lembrar de algo que sempre esteve presente e atuante em nossas vidas, mas que não sabíamos nomear ou qualificar...



Resumidamente, é uma obra que nos mostra de maneira sucinta e alegre o ethos umbandista, nos provocando um sentimento de enorme alegria e orgulho de pertencermos a religião umbandista e de termos um dia adotado a ciência de Umbanda (como diria Seu Pena Verde, guia-chefe do terreiro em que fui [recentemente, através do batismo] iniciado na religião umbandista: "A Umbanda não é só uma religião, é também uma ciência!") como nossa filosofia de vida...






E vamos saravar o colírio alucinógeno, na vibração da cabocla Jurema!


Para ouvir a faixa 04, "Cabocla Jurema", é só clicar nesse link:

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mais uma vez, indo contra o politicamente correto...

Saudações a todos! Este pequeno texto foi extraído de um outro blog, o "Sofrimento Amoroso do Homem", e é mais um libelo contra essa chatice do politicamente correto, além de ser mais uma coisa que não é de minha autoria. Mas o que se há de fazer, se essa gente consegue ser mais genial do que eu? Se eu me esforço como um louco para o resultado de minha lida cerebral seja visto por, no máximo, três pessoas, sem ser comentado por nenhuma delas?



Porém, sou oprimido pelos dois embaraços aludidos por Voltaire: a necessidade urgente e inadiável de falar, seguida pelo embaraço de não ter nada de muito útil ou inédito a dizer ou acrescentar no cotidiano de alguém. E outra, eu preciso variar o conteúdo deste blog, pois não é qualquer um que aguenta escutar outro que só fala de música, não é mesmo? E eis aí algo que não entendo: pessoas que em seus blogs fazem um humor pra lá de escroto, ou dissertam sobre qualquer futilidade ou outras coisas ininteligíveis, conseguem ter centenas ou milhares de seguidores, enquanto eu, que desejo mostrar só um pouquinho de conteúdo, consigo manter com muito esforço dois seguidores...



Não que eu deseje os milhares de seguidores de muitos blogs por aí, alguns realmente merecem o número de seguidores que tem porque são muito bons mesmo, mas que este blog fosse um pouco mais visto, que as pessoas efetivamente dessem sua opinião sobre ele, comentassem as postagens que faço seria muito bom... Assim, eu poderia ter maior certeza que fiz bem em trazer este blog pobrezinho de meu Deus à luz. Pelo menos aqui é um espaço onde tenho liberdade pra dizer o que eu penso sem a necessidade de ter que agradar, atender as vontades ou passar a mão na cabeça de quem quer que seja.



E talvez eu esteja errando em alguma coisa: o nome do blog parece bastante infantil (embora haja uma justificativa bem intrigante para esse nome),ou porque a minha cara não tem uma aparência muito bonita de se ver (eu estou conformado com ela), ou porque eu me prolongo demais no que eu escrevo (hoje todo mundo tem preguiça de ler, e é justamente por isso que somos manipulados pelos outros). Quem sabe uma hora eu não acerto a mão e viro uma celebridade da internet, meus caros? Pois bem, vamos deixar de delongas e ir ao que interessa, essa eterna cruzada contra o politicamente correto...




O politicamente correto é uma arma que permite manipular a opinião coletiva, dando a entender que aqueles que defendem idéias contrárias às dominantes são monstros e pertencem ao mal. As idéias e pontos de vista majoritários são tidos como "do bem" e a capacidade de questioná-los é tida como ato reprovável. Ninguém pode duvidar do politicamente correto, sob a pena de ser tachado, não de ignorante, mas de malvado e até de perigoso.






A hipocrisia do politicamente correto ressalta rapidamente à vista quando defendemos idéias heréticas, que destoem do consenso geral e choquem. É então que comprovamos que os "bonzinhos" se tornam exatamente aquilo que dizem condenar: intolerantes.






Para isolar idéias heréticas, o politicamente as estigmatiza como perigosas e perversas. É assim que alguns pontos de vista se tornam hegemônicos em detrimento de outros. O interessante é que, quando as visões heréticas ousam perturbar, elas não são discutidas, mas somente demonizadas e rotuladas para uma fácil perseguição. Obviamente, a discussão das mesmas terminaria por colocá-las em pé de igualdade com as idéias dominantes e é exatamente isso que o politicamente desespera-se por evitar. A verdadeira liberdade de pensamento apavora o politicamente correto, já que o mesmo sustenta-se sobre a mentira.






Se determinadas formas de pensar são "erradas", porque não se permite a análise cuidadosa das mesmas? Por simples temor de que sejam coerentes a ponto de provocarem reviravoltas e até quebras de paradigmas. O politicamente correto é o guardião da ordem vigente.Se o politicamente correto fosse realmente o que diz ser, demonstraria os erros da idéias heréticas ao invés de usar o recurso baixo da acusação e da manipulação de opiniões. Entendo que a verdadeira filosofia e o politicamente correto são incompatíveis.






Na Idade Média, era considerado politicamente correto elogiar a Igreja e perseguir judeus, bruxas e hereges. Hoje é politicamente correto elogiar judeus e perseguir a Igreja. Ambas as formas de pensar são hipócritas e não permitem o desenvolvimento intelectual da humanidade, ambas encarceram o entendimento.






O que proponho? Proponho que se permita às pessoas pensar o que quiserem e, quando não se goste de determinadas formas de pensar, que se as analise para verificar o que contém e para mostrar os erros que apresentam, ao invés de simplesmente tentar demonizar quem as defende. Se o pensador herege realmente estiver errado, os erros de suas idéias aparecerão. Os erros de um ponto de vista são falhas lógicas e forçosamente aparecem em um escrutínio sincero e cuidadoso.






Todo pensamento unilateral é prejudicial, assinala fanatismo, dogmatismo e retrocesso. A recusa em considerar analiticamente este ou aquele ponto de vista indica irracionalidade e incompetência em desbancá-lo. Sou defensor do pensamento verdadeiramente dialético, o qual exige do pensador a capacidade de considerar pontos vista antagônicos com igual dedicação. Quem é capaz de fazer isso verdadeiramente? (..) A crítica aponta os erros e é por este caminho que uma sociedade evolui.

domingo, 16 de maio de 2010

Moreira da Silva - O sucesso continua - 1968

01. Na subida do morro; 02. Olha o Padilha; 03. Amigo urso; 04. Resposta do amigo urso; 05. Te amo querida; 06. Conto do relógio; 07. Beijo de amor; 08. Rei do gatilho; 09. Dai um jeito nesse mundo; 10. Baile da Piedade; 11. A carne; 12. Apressado queima a boca; 13. Baianinha cheirosa; 14. O velho não bobeia.





Saudações a todos! Depois de um longo tempo sem postar nada (porque é como diria Voltaire: "Existem duas coisas capazes de tornar ridículo mesmo um grande homem: a necessidade de falar e o embaraço por nada ter a dizer"), eu estou voltando com mais um clássico do samba, na interpretação de um dos maiores sambistas brasileiros de todos os tempos: Moreira da Silva!





Eu creio que esta grande figura, que deve ser mais ou menos conhecida dos que passam por este blog, dispensa maiores apresentações: ele foi o criador d um famoso estilo de interpretar sambas, conhecido como "samba de breque"; no meio do samba, o acompanhamento para, normalmente pra se introduzir no samba frases de cunho humorístico. Foi um malandro respeitado em seu tempo (dizem que conheceu o próprio Zé Pelintra em pessoa; pra quem não sabe, Zé Pelintra é uma entidade muito respeitada no catimbó e na Umbanda, que na sua vida terrena foi um respeitado e elegante malandro, detentor de grandes habilidades no baralho e na conquista amorosa), e até hoje é cultuado por grandes nomes do samba e da MPB.





Neste disco, o que impressiona é a vitalidade de "Kid Morengueira", na época com 66 anos de idade (ele morreu em 2000, aos 98 anos; ele costumava dizer o seguinte, alguns anos antes do fim de sua vida: "Meu nome é Antônio Moreira da Silva, tenho o corpo limpo, sem varizes, e continuo afogando o ganso com ar de pavão misterioso"); ainda estava cantando e atuando como um rapaz de seus 20 ou 30 anos, esbanjando vitalidade com sua voz. No disco, a maioria das músicas são regravações de sucessos de outras épocas, mas ainda há algumas faixas exclusivas. A que eu escolhi para lhes mostrar, "A carne", é o samba mais pessimista que eu conheço (acho que nem Nelson Cavaquinho chegou perto com qualquer um de seus sambas):





Se eu pudesse evitar viver sobre essa terra/Se eu pudesse, lhe trataria com muito carinho/ É nessa terra/que plantamos pra colher nossos alimentos/Quando eu a piso, revolta os meus sentimentos/Sei que a terra não/tem compaixão de mim/ Porque/necessita do meu fim/O alimento da terra é a nossa carne/A terra é muda e não diz nada/Mas sei que precisa de mim/Eu vivo nessa terra/Mas sou um pobre coitado/Por essa terra/eu serei exterminado...





É bem forte, não? Pois bem, me desculpem se eu não estou conseguindo ser mais digressivo, mas é que estou escrevendo com muita canseira e sem muita inspiração, aqui do meu serviço (durante o horário de almoço). Este disco é um dos melhores que o Moreira gravou, e pra variar está no rol dos que voê deve ouvir primeiro pra morrer depois. E mais: este disco foi gravado pela Cantagalo, que segundo a capa do disco se localizava na Rua Catumbi, que com suas casinhas antigas de vila operária é um dos lugares de aparência mais romântica de São Paulo, bem nas portas de minha amada Vila Maria (mais precisamente no bairro do Belenzinho, entre a Vila Maria e o centro de São Paulo)...





E vamos ao colírio alucinógeno, meus leitores!





Para ouvir a faixa 11, "A carne", é só clicar no link abaixo:

domingo, 28 de março de 2010

Liu e Léu/Duo Guarani - Paulistas x Mineiros - 1965


01. Canção do sertanejo; 02. Querido amor; 03. Tempo de criança; 04. Juca Bento; 05. Deus te pague; 06. Nem um balão; 07. Aliança de noivado; 08. Pra que beber; 09. Lembrança; 10. Sempre contigo; 11. Perdiz matogrossense; 12. Jogador na igreja.



Saudações a todos! Hoje, eu volto a fazer o que eu mais gosto de fazer neste blog, que é resenhar um disco de meu gosto que faça parte de meu acervo musical... Me desculpem, mas o fato é que eu sou um aficionado por música e gosto de compartilhar essa paixão com as (ainda) poucas pessoas que passam por este blog... Preciso variar um pouco o conteúdo deste blog e estou tentando fazer isso, mas o coração é que me governa...






Como eu já devo ter falado, eu aprecio muito a música caipira, por inclinação de família. E este disco que ora resenho, que não é muito conhecido (apesar de não ser difícil encontrá-lo para download), é em minha modesta e ínfima opinião um clássico da música caipira brasileira; as cinco primeiras músicas do disco são interpretadas por Liu e Léu, uma das mais famosas duplas caipiras brasileiras (ainda hoje atuante, com mais de 50 anos de carreira) e membros de uma família de famosos músicos sertanejos (são irmãos do recentemente falecido Zico e do Zeca - outra dupla sertaneja não menos famosa - e primos do saudosos Vieira e Vieirinha. Por sinal, essas três duplas são as minhas favoritas..).






As restantes músicas são interpretadas pelo Duo Guarani (para quem não sabe, duo é uma dupla formada por um casal - homem e mulher; infelizmente não consegui obter informação alguma sobre esses artistas. Talvez eles só tenham gravado esse disco, ou eram artistas solo que se juntaram para a gravação do disco, ou posteriormente botaram outro nome no duo. Se algum leitor souber alguma coisa a respeito, me escreva...) Ao que parece, partiu da Chantecler (que era um selo da RCA Victor, pelo qual gravaram a maioria, se não todas, as duplas sertanejas famosas das décadas de 50/60. No catálogo deste selo, se podem encontrar verdadeiras obras-primas da música caipira) a idéia de, ao promover um encontro entre artistas paulistas e mineiros (Liu e Léu são de Itajobi, no interior de São Paulo, e esse Duo Guarani certamente deveria ser de algum lugar de Minas; esses dois estados são a terra matriz e de excelência na música e na cultura caipira), promover por acréscimo a música caipira.






E o resultado final demonstrou-se excelente: este disco, além de estar no rol daqueles que você não deve desencarnar sem ter ouvido pelo menos uma vez, é um verdadeiro monumento à música popular do sertão brasileiro, e que a meu ver é indispensável para quem quer conhecer o que foi em outros tempos a música sertaneja deste país. Para muitos de nós, que fomos criados no meio urbano, esta obra pode até parecer brega demais, mas a música do tempo e do lugar que esse disco aborda é uma música que se utiliza de outra linguagem para exprimir sua mensagem. E outra: este blog só comenta música de qualidade, portanto aos fãs do créu, do piloto da faixa de Gaza, do rebolation, das bandinhas mela-cueca e de outras estupidezes quejandas, só me resta dizer, como está mesmo no funk do piloto da faixa de Gaza: "quem não gosta [de boa música], eu só lamento!".




Hoje eu farei uma coisa diferente: para demonstrar melhor o teor desse disco que eu resenhei, eu vou aumentrar um pouco a dose do alucinógeno, botando duas músicas ao invés de uma. E se algum leitor gostar, é só ver a minha lista de blogs e ir no "Saudade da Minha Terra", que a versão integral da obra está lincada ali. E vamos ao colírio alucinógeno, porque as lutas da Semana Santa só estão começando!



Para ouvir a faixa 01, "Canção do sertanejo", na interpretação de Liu e Léu, é só clicar no link abaixo:



E para ouvir a faixa 09, "Lembrança", na interpretação do Duo Guarani, clique aqui:
http://www.esnips.com/doc/4403ebc8-a6c0-477f-a22e-37658b47b39f/Lembrança-Liu--Léu





"Só não gosto de pessoas que pensam em 1 e 0 e dizem que quem não faz isso está em cima do muro"

Esta é a frase do dia, proferida em mais um debate infrutífero entre os alunos de humanidades da Universidade Federal de São Paulo...